SOu NAda

«Não sou nada.

Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.»
Mas a verdade é que olhando este mar
Sinto-me nada,
E sinto-me tudo.
De olhos postos no mar
Vejo o lugar onde nasci,
O lugar onde também te perdi.
«Falhei em tudo
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.»
Junto a este mar
«Vivi, estudei, amei e até cri.»
Amei-te a ti,
Tu que és a «essência musical dos meus versos inúteis.»
Por ti, «fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.»
«Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse»
Para nos voltarmos a perder,
Procurando o amor.
Para me fechares os olhos,
Me tocares,
Me envolveres.
Para nesta imensidão,
Nadarmos por entre segredos e amor,
Nadarmos por entre carícias e toques.
Mas «a realidade plausível cai de repente em cima de mim»,
Não vais voltar a estar aqui.
Perco-me ao passear por esta praia.
«E, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível,
Acelero…
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo       
                                                                                                      sem vê-lo» À beira-mar…
O meu coração ficou vazio.
O meu coração sentiu-se insatisfeito.
E voltei a sentir-me nada!
 
Inspirado em Álvaro de Campos (Tabacaria, Dois excertos de Odes e ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra)
publicado por diariodesentimentos às 16:30 | sussura-me! | favorito
tags:
sinto-me: um pouco só
música: Nelson Freitas - Cré Sabe